21/11/2017

3.992.(21noVEMbro2017.7.7') Columbano Bordalo Pinheiro

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Nasceu a 21noVEMbro1857, em Lisboa...
e morreu a 6noVEMbro1929
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a pintura dele
com música de Chopin
https://www.youtube.com/watch?v=ctAIaussHSE
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Segundo Diogo de Macedo (Seara Nova, 1933), Columbano terá dito, um dia: 
«a gente se retrata em tudo o que faz! … Passamos a vida a confessar-nos … não acha?»
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correio da manhã...fev2007
Columbano, o artista que teve um único amor
Columbano, o artista que teve um único amor Columbano Bordalo Pinheiro não é só a avenida de Lisboa que desemboca na Praça de Espanha. Quem deu o nome à avenida foi um dos maiores pintores portugueses, conhecido principalmente pelos retratos – reproduz-se nesta página o que, no fim da vida, fez de si mesmo – e representações de cenas da vida da burguesia lisboeta. Era, segundo deixou escrito o escultor Diogo Macedo, “misantropo, fechado em si mesmo, dado a análises exaustivas e a dissecações cruéis. Teve apenas um grande amor - a pintura”. Columbano Bordalo Pinheiro nasceu há 150 anos, efeméride que o Museu do Chiado (rua Serpa Pinto, n.º4) celebra inaugurando, na próxima quinta-feira, dia 15, uma exposição de 68 pinturas e 22 desenhos do mestre

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/columbano-o-artista-que-teve-um-unico-amor
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A imagem do artista. O auto-retrato

Columbano, fixa, em 1885, no retrato colectivo do Grupo do Leão, testemunho cúmplice de camaradagem artística e Manifesto Pictórico do Naturalismo em Portugal, muitos dos seus heróis e protagonistas, além de ele próprio. Aí, Columbano deixa transparecer um certo narcisismo que transmitiu, por volta de 1904, a um novo Auto-retrato, visto em contre-plongée. O rosto apresenta uma dignidade altiva, lembrada de Van Dyck que transporta em si os signos da situação social do artista, reconhecido entre os seus pares como o mais importante pintor do período.
Do mesmo modo, o Auto-retrato (1927) pertencente à colecção da Galeria degli Uffizi/Palazzo Pitti  impõe-se pelo seu realismo estrutural e atitude de uma orgulhosa dignidade, correspondente à consciência do seu reconhecido mérito.
Este tempo mental do século XX já não era, porém, o seu. Como tal, o seu universo
espectral revelou-se derradeiramente num último e significativo Auto-retrato (1929) que deixou inacabado, quando a morte o surpreendeu. Já não houve tempo para lhe acrescentar a figura da mulher, e dele restou uma pose de Dandi, numa pintura diluída onde apenas avulta o rosto, presença fantasmática de um tempo que era, então, o da Ditadura Militar, pondo termo aos ideais republicanos que sempre haviam norteado a sua vida. R.A.S.
(...)
O Intimismo
A excessiva carga mediática e o exigente trabalho de retratista a que Columbano se dedica acentua o gosto por uma representação de cenas de interior como espaços evasivos, distantes de polémicas.
A obscuridade destas pinturas acentua o carácter concêntrico da temática, a partir de uma imaginária zona da casa de família, o não-lugar, neutralizado por sombras e por um inventário de referentes concretos. A chávena de chá, o samovar, o prato, os objectos de cobre, constituem pontos de tensão que dissipam a importância de identidade da figura retratada. A apresentação emotiva ou alegórica dos objectos elege uma
ambivalência espacial e os frutos, os jarros e as travessas, aproximam-se do espectador como se representassem a essência das coisas, em momentos “insignificantes” que apenas o autor entende.
Mulher e frutos (Femme et fruits), pintura de interior doada pelo autor ao Musée du Luxembourg, destaca a natureza-morta e o estatismo da figura, enquanto que Frutos de Outono aponta a expressividade do rosto de Emília, sua mulher. Frequentemente representado, suspenso na densidade das sombras, simula um fugitivo movimento sugerido pela ausência do corpo.
Esta estética intimista surge como uma espécie de manifesto a uma modernidade, decorrente de um realismo estrutural, perceptível em toda a sua produção. Columbano combina a coexistência da objectividade com uma subjectividade expressiva, geradora de narrativas específicas, ou seja, o artista cria singulares espaços, resultantes de uma associação entre a sua ideia do real e o fantástico. M.A.S.
A expressão da modernidade

A partir de 1911, Columbano ultrapassa os limites do realismo, considerando que a aceitação e manifesta reputação de retratista, tal como a sua participação na vida cultural do país proporcionam uma maior liberdade pictórica, tanto na adaptação aos modelos e à sua psicologia, como nos modos de representação. Na sua expressão da modernidade, o salto alongou-se para algo naturalmente espectral, na denúncia ousada de uma sociedade que se espelha em fisionomias lívidas e “tipos incompletos, almas aos pedaços”.
Surgem retratos expressivos e inquiridores, definidos por linhas fisionómicas duras sobre tons gerais neutros, numa representação dramática, próxima das correntes expressionistas que se esboçam nos começos de novecentos. O carácter ambíguo das pinturas pontua uma aparente tranquilidade de pose e a expressividade das suas fisionomias, em rostos marcadamente desiludidos ou energicamente perspicazes, num
individualismo expressivo que transpõe os limites da realidade e do que se entendia por “verdadeiro”, mas também os da arte nacional.
O estudo das fisionomias, consumidas por uma luz que se impõe num específico protagonismo, serve Columbano na pesquisa de uma realidade interiorizada, através de traços e contracções expressivas, de rostos triangulares, olhos rasgados e linhas rosadas, em pormenores do rosto, numa visão dinâmica do retratado como expressão da sua modernidade. M.A.S.
http://www.museuartecontemporanea.gov.pt/pt/programacao/792
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Columbano Bordalo Pinheiro, mestre do retrato

É ele o autor de poderosos "retratos psicológicos" tirados a importantes personagens de um país em mudança. Na viragem do século XIX, Portugal está nos quadros de Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929), pintor intimista e "observador de almas".

Pintou paisagens, temas históricos, naturezas mortas mas foi como retratista que o seu génio se distinguiu e fez único. São dele os retratos mais expressivos e densos das grandes figuras do início do século XX português. Artistas, escritores, intelectuais, presidentes da República, a todos Columbano Bordalo Pinheiro “desvendou os segredos da alma” com a sua paleta sóbria, intimista e misteriosa.
Nascido em família de artistas, a pintura foi uma descoberta precoce e inevitável na sua vida. Do pai, Manuel Maria Bordalo Pinheiro, pintor e escultor de talentos reconhecidos, recebeu o dom e os primeiros ensinamentos.
Com apenas 14 anos, Columbano matricula-se na Academia Real de Belas-Artes em Lisboa para fazer um curso de sete anos que termina em menos de quatro. De personalidade vigorosa e rebelde não é o típico aluno exemplar mas aprimora e explora técnicas que farão dele um artista inconfundível. Completa a formação artística em Paris, como bolseiro, seguindo os mestres sem perder o traço original do seu poder criativo.
Muitos dos seus trabalhos iniciais auspiciam um caminho glorioso. Em 1881 revela-se já excelente retratista com o quadro que faz de Ramalho Ortigão. As grandes personalidades de um país que transitava da monarquia para a República posaram para o pintor: Antero de Quental, Eça de Queirós, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro, Teixeira de Pascoaes e tantos outros ficaram de alma exposta num misterioso jogo de luz e sombra que Columbano usava com destreza e que por isso chegou a ser considerado o Rembrandt português!
Quando regressa de Paris, junta-se ao Grupo de Leão, uma tertúlia de artistas promissores que se reunia na cervejaria Leão e da qual faziam parte, entre outros, José Malhoa, Silva Porto e o seu irmão, Rafael Bordalo Pinheiro. Columbano grava na tela a imagem do grupo e produz em 1885 um dos seus mais célebres quadros exposto no museu do Chiado, em Lisboa. De um pintor que trabalhava todos os dias, que vivia para a pintura, é de esperar uma extensa lista de obras: muitas foram vistas em exposições no estrangeiro, outras valeram-lhe honrosas distinções como a medalha de ouro que recebeu em 1900 no Salão da Exposição Universal de Paris.
Com a  implantação da República, a 5 de Outubro de 1910 , Columbano foi um dos escolhidos pelo governo provisório a integrar a comissão encarregada de escolher o modelo da bandeira nacional. Terá sido ele o maior responsável pela escolha das cores e do desenho da nova bandeira  içada a 1 de dezembro de 1910.
Columbano dedicou-se também ao ensino, sendo professor da Escola de Belas-Artes em Lisboa durante 24 anos. Foi ainda o primeiro diretor do museu de Arte Contemporânea, cargo que manteve até à data da morte, a 6 de novembro de 1929.
http://ensina.rtp.pt/artigo/columbano-bordalo-pinheiro-1857-1929/
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pinturas dele...wikipédia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pinturas_de_Columbano_Bordalo_Pinheiro
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https://www.youtube.com/watch?v=Tv2GE2ENUnM
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via Eulália Valentim:
Foto de Eulalia Valentim.
"Concerto de Amadores" ou "Soirée chez lui", óleo sobre tela de Columbano Bordalo Pinheiro, 1882
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1876624765698229&set=p.1876624765698229&type=3&theater
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Pintor português, nascido a 21 de Novembro de 1857 em Lisboa, Columbano Bordalo Pinheiro pertencia a uma família ligada às artes e era irmão de Rafael Bordalo Pinheiro. É considerado o pintor mais significativo dos finais do século XIX. Foi aluno de seu pai, Manuel Maria Bordalo Pinheiro, de Miguel Ângelo Lupi e de Simões de Almeida. Parte para França em 1881, descobrindo a obra de Degas e Maneie, mas também a de Courbet e Deschamps. Foi professor da Escola de Belas-Artes de Lisboa e diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea, vindo a falecer em 1929. Embora frequentando os naturalistas, os temas do amor pela Natureza não o atraiam, conservando-se essencialmente como um retratista, influenciado pela escola flamenga e pela vertente sombria dos mestres espanhóis. Em Concerto de Amadores (1882), uma obra da juventude, apresenta já as linhas de força que virão a ocupar o sentido plástico do seu espaço pictural. Os castanhos e os negros imperam, o tratamento do claro-escuro acentua a encenação dramática. O retrato de D. José Pessanha (1885) constitui uma variação de ocres e cinzentos e toda a composição assume uma postura sabiamente informal. Columbano foi uma testemunha angustiada do quadro político-social dos finais do século. O Retrato de Antero de Quental (1889) parece profetizar o fim próximo do poeta-filósofo, ao mesmo tempo que simboliza toda a geração dos “Vencidos da Vida”.
Foto de Eulalia Valentim.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1876554549038584&set=a.282097105151011.82379.100000521703651&type=3&theater

17/11/2017

5.336.(17noVEMbro2017.13.31') Computador...Macintosh

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o meu 1.º computador foi 1 Machintosh
como este da fotografia
tenho que restaurar td o equipamento que lá tenho
a funcionar...até 2001

Hoje na História dos Computadores: A origem do nome Macintosh

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em 2001 comprei o "actual" computador que tem funcionado
sem problemas
com acrescento de memória
e 1 novo écran em 2009

16/11/2017

6.214.(16noVEMbro2017.7.7') AM2017.2021...Aqui vou colocando apontamentos das Assembleias Municipais

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2AM.21noVEMbro2017...
depois da tomada de posse é a 1.ª
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à terça-feira é mesmo para afastar público!!!
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Ordem de trabalhos
SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DE 21 DE NOVEMBRO DE 2017 Período da Ordem do Dia (AUTARQUIAS) PONTO UM - 
ELEIÇÃO DOS VOGAIS DA COMISSÃO PERMANENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE ALCOBAÇA, DE ACORDO COM O N.º 1 DO ARTIGO 25.º DO REGIMENTO DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL EM VIGOR. ------ 
(AUTARQUIAS) PONTO DOIS - 
ELEIÇÃO DE UM PRESIDENTE DE JUNTA DE FREGUESIA PARA PARTICIPAR NO XXIII CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE MUNICÍPIOS PORTUGUESES A REALIZAR NO DIA 09 DE DEZEMBRO DE 2017 EM PORTIMÃO, CONFORME CIRCULAR 68/2017/AM DE 23 DE OUTUBRO DE 2017.--------------------------------------------------------------
 (AUTARQUIAS) PONTO TRÊS – 
COMUNIDADE INTERMUNICIPAL DO OESTE (OESTECIM) E OUTROS – CONTRATO DE GESTÃO DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA PARA IMPLEMENTAÇÃO DE MEDIDAS DE MELHORIA DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NOS SISTEMAS DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA – MINUTA - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
(AUTARQUIAS) PONTO QUATRO – 
ASSOCIAÇÃO DE FREGUESIAS GRANJAS DA MAÇÃ – MINUTA DE PROTOCOLO DE PARCERIA - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. --------- 
PONTO CINCO –
 ÁGUAS DE PORTUGAL SOCIEDADE GESTORA DE PARTICIPAÇÕES SOCIAIS, SOCIEDADE ANÓNIMA E OUTROS – ACORDO PARASSOCIAL - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO.-
 (FINANÇAS LOCAIS) PONTO SEIS – 
IMPOSTO MUNICIPAL SOBRE IMÓVEIS (IMI) – FIXAÇÃO DE TAXA PARA VIGORAR NO ANO DE DOIS MIL E DEZOITO - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
 (FINANÇAS LOCAIS) PONTO SETE – 
IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DE PESSOAS SINGULARES (IRS) – FIXAÇÃO DE TAXA VARIÁVEL PARA VIGORAR NO ANO DE DOIS MIL E DEZOITO - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. --
(FINANÇAS LOCAIS) PONTO OITO – 
LANÇAMENTO DE DERRAMA – ANO DE DOIS MIL E DEZASSETE - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
 (ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO NOVE - 
ANTÓNIO DO COITO DA SILVA – PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
 (ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO DEZ - 
ANTÓNIO DOS SANTOS – PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
(ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO ONZE 
– ARLINDO DE OLIVEIRA COSTA - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
 (ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO DOZE - 
COUTO & LOURENÇO, LIMITADA – PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
(ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO TREZE - 
FERNANDO QUITÉRIO LOPES – PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
 (ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO CATORZE –
 FERNANDO VICENTE – PRODUÇÃO E COMÉRCIO DE SUÍNOS, LIMITADA - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD 6451/17).-
 (ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO QUINZE – 
FERNANDO VICENTE – PRODUÇÃO E COMÉRCIO DE SUÍNOS, LIMITADA - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD 23657/17). -
 (ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO DEZASSEIS –
 JORGE VIEIRA – PRODUTOS PARA AGRICULTURA, LIMITADA - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
(ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO DEZASSETE –
 MANUEL MARTINHO LOPES TERESO - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
(ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO DEZOITO – 
MARÍLIA DA SILVA GUERRA MADALENO – PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
 (ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO DEZANOVE –
 MARMALCOA – TRANSFORMAÇÃO DE MÁRMORES, LIMITADA - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
(ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO VINTE –
 MATEUS ANSELMO RIBEIRO – PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
 (ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO VINTE E UM –
 NELCARNES – COMÉRCIO DE CARNES, LIMITADA - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. ---
 (ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO VINTE E DOIS – 
PAULO JORGE FAZENDEIRO TERESO – PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. --
 (ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO VINTE E TRÊS – 
RAMISTONE UNIPESSOAL, LIMITADA – PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -
(ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO VINTE E QUATRO –
 SORGILA – SOCIEDADE DE ARGILAS, SOCIEDADE ANÓNIMA - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO.-
 (ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO VINTE E CINCO – 
SUIPEC – AGRO-PECUÁRIA, LIMITADA – PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. (MGD 15180.17) -
(ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO VINTE E SEIS –
 SUIPEC – AGRO-PECUÁRIA, LIMITADA – PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. (MGD 15182.17) - 
PONTO VINTE E SETE – 
SUIPEC – AGRO-PECUÁRIA, LIMITADA – PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. (MGD 15185.17) -
 (ORDENAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA) PONTO VINTE E OITO –
 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE LEIRIA, COOPERATIVA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA – VIABILIZAÇÃO DE USOS E AÇÕES EM ÁREA INTEGRADA NA RESERVA ECOLÓGICA NACIONAL – PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE AÇÃO DE RELEVANTE INTERESSE PÚBLICO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO. -

 Período Depois da Ordem do Dia (Reservado à intervenção do público - 15 minutos)




13/11/2017

2.859.(13noVEMbro2017.7.7) Gilberto Magalhães Coutinho

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19jul2009
Álvaro Cunhal dizia em 30 Abril de 1974:
"Unidos como os dedos das mãos, firmes, confiantes, vigilantes em relação à reacção que pode vir do passado, olhos no futuro.
Avante para a conquista definitiva da liberdade!".

Na formação das listas CDU, em 2009, ainda deparamos com sinais de falta de liberdade!
Há quem tenha medo de perder emprego (ou de 1 familiar chegado) para assumir que vota CDU ou para testemunhar que vota Rogério Raimundo ou para entrar nas listas da CDU!
Há pais que pressionam os seus filhos a não participarem nas listas CDU com medo do futuro: "ficas marcado(a)!"...
Sei quem assinou em 2005, ser apoiante do PSD, com medo de represálias, de não ter apoios na sua associação ou na sua Junta!!!

Também por estes sinais é preciso lutar e vencer!
Para acabar com o medo!
Para termos a Câmara aberta a todos sem medo!
Para haver inteira LIBERDADE em Alcobaça!

Recordo o que o saudoso Gilberto Coutinho me disse tantas vezes:
"Alcobaça ainda não teve o 25 de Abril a sério!"
Lembro também aquele ABRAÇO, no dia 14.12.1997, quando elegemos pela 1ª vez o Vereador CDU:
"hoje é um dos dias mais felizes da minha vida, chegou o 25 de Abril a Alcobaça!"

Para limpar estes sinais terríveis do medo
é preciso votar CDU e vencer em 11 out 2009.
Votar CDU é acabar com o medo em Alcobaça
Com a CDU a liderar
Alcobaça abraça
a LIBERDADE a sério!
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10/11/2017

3.083.(10noVEMbro2017.7.7') Guerra dos 30 anos

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2018
400 anos do início
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Uma das guerras mais destrutivas da história europeia, a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) sequer é considerada estritamente como somente um conflito por algumas correntes historiográficas; mais do que isso, seria uma profunda crise que abateria o século XVII em suas bases. Isso o marcaria, em geral, como um período de regressão e decadência comprimido entre dois séculos gloriosos.
O início da guerra ocorreu na chamada “defenestração de Praga”, ocorrida em 23 de maio de 1618. Nesta ocasião, três representantes do imperador Fernando II (1578-1637), da Casa Habsburgo, foram jogados pela janela de um palácio ao tentarem impor o fechamento da assembleia dos estados em Boêmia. Meses depois, Fernando II conseguiria derrotar os rebeldes, mas sua decisão de abolir o compromisso da liberdade de culto – estabelecido ainda em 1555 na chamada Paz de Augsburgo - intimidaria muitos príncipes alemães protestantes e seus aliados na Europa, como Suécia, Dinamarca e Holanda, principalmente após a ocupação da região chave do Palatinado pelas tropas do imperador, em 1621.

Defenestração de Praga. Ilustração de Johann Philipp Abelinus (entre 1635-1662).
Somente em 1629, contudo, quando o Sacro Império Romano retomou todas as terras concedidas aos protestantes desde 1555 ao promulgar o Édito de Restituição, é que o confronto ameaçou atravessar as fronteiras do Sacro Império Romano Germânico e tornar-se um conflito generalizado. Logo no ano seguinte, o rei sueco Gustavo II (1594-1632) liderou um enorme exército numa invasão ao Império, iniciando uma fase mais favorável à causa protestante que duraria até a morte do próprio rei na batalha de Lutzen, em 16 de novembro de 1632.
Outra fase vantajosa apenas surgiria quando a divisão religiosa do conflito fosse atenuada pela entrada da França católica na aliança contra o Sacro Império Romano, em 1634, por motivos puramente geopolíticos. Somando mais de 100.000 soldados para a aliança protestante, a causa anti imperial devastaria e pilharia as terras germânicas o suficiente para fazer com que, em 1641, o novo imperador – Fernando III (1608-57) – tivesse que começar a fazer concessões significativas, como anular o Édito de Restituição promulgado por seu pai. Uma vez que a principal aliada do Sacro Império Romano, Espanha, enfrentava rebeliões em Catalunha e Portugal, estando impossibilitada de fornecer auxílio, as condições para a negociação da paz já foram possíveis a partir de 1645. Os tratados de paz, chamados em seu conjunto de Paz de Vestfália, já estariam sendo assinados em 1648, muito embora Espanha e França ainda continuassem em seus próprios conflitos até 1659.
Cerca de quatro milhões de pessoas morreriam durante as três décadas de conflito. O Sacro Império Germânico, especificamente, sofreria um notável retrocesso econômico com a enorme perda de vidas, juntamente com a destruição da maior parte de seu rebanho e colheitas; tal instabilidade se provaria ser de longo prazo, impossibilitando uma eventual unificação nacional alemã em paralelo às das outras nações. Do ponto de vista político, a Guerra dos Trinta Anos alterou por completo o eixo da Europa: enquanto a influência da Casa Habsburgo decaiu significativamente, a entrada decisiva da França já na parte final do conflito estabeleceu a base da supremacia absolutista de Luís XIV, o Rei Sol, principalmente após a paz favorável com Espanha em 1659. O fim da Guerra dos Trinta Anos, assim, pode pôr em prática um “equilíbrio de poder” entre as potências europeias que duraria mais de dois séculos.
Bibliografia:
CARNEIRO, Henrique. “Guerra dos Trinta Anos”. In: MAGNOLI, Demétrio (org.) História das Guerras. São Paulo: Contexto, 2006.
https://www.infoescola.com/historia/guerra-dos-trinta-anos/
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via Wikipédia:
Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) é a denominação genérica de uma série de guerras que diversas nações europeias travaram entre si a partir de 1618, especialmente na Alemanha, por motivos variados: rivalidades religiosas, dinásticas, territoriais e comerciais.
As rivalidades entre católicos e protestantes e assuntos constitucionais germânicos foram gradualmente transformados numa luta europeia. Apesar de os conflitos religiosos serem a causa direta da guerra, ela envolveu um grande esforço político do Império Sueco e da França para procurar diminuir a força da dinastia dos Habsburgos, que governavam a Monarquia de Habsburgo (futuro Império Austríaco). As hostilidades causaram sérios problemas econômicos e demográficos na Europa Central e tiveram fim com a assinatura, em 1648, de alguns tratados (Münster e Osnabrück) que, em bloco, são chamados de Paz de Vestfália.
Os conflitos religiosos ocorridos na Alemanha e solucionados em 25 de setembro de 1555 com a assinatura da Paz de Augsburgo inauguraram um período no qual cada príncipe podia impor sua crença aos habitantes de seus domínios. O equilíbrio manteve-se enquanto os credos predominantes restringiam-se às religiões católica e luterana, mas o advento do calvinismo complicaria o cenário. Considerada uma força renovadora, a nova linha religiosa conquistou diversos soberanos. Os jesuítas e a Contrarreforma, por outro lado, contribuíram para que o catolicismo recuperasse forças. Assim nasceu o projeto expansionista dos Habsburgos, idealizado por Fernandoduque de Estíria, que fora educado pelos jesuítas. O perigo ameaçava tanto as potências protestantes no norte como a vizinha França.

O imperador Rodolfo II
À medida que o conflito se desenhava, a luta estava sendo influenciada por muitos outros temas colaterais, tais como as rivalidades e ambições dos príncipes alemães e a teimosia de alguns dirigentes europeus, sobretudo dos franceses e suecos, em abater o poderio do católico Sacro Império Romano-Germânico, o instrumento político da família dos Habsburgos.
Esta conjuntura fora desencadeada na segunda metade do século XVI pelas fraquezas do Tratado de Augsburgo, um acordo concluído em 1555 entre o Sacro Império católico e a Alemanha luterana.
As tensões religiosas agravaram-se na Alemanha no decurso do reinado do imperador Rodolfo II (1576-1612), período durante o qual foram destruídas muitas igrejasprotestantes. As liberdades religiosas dos crentes protestantes foram limitadas, nomeadamente as relativas à liberdade de culto; os oficiais do governo lançaram as bases do Tratado de Augsburgo, que criou condições para o refortalecimento do poder católico.
Com a fundação da União Evangélica em 1608, uma aliança defensiva protestante dos príncipes e das cidades alemãs, e a criação, no ano seguinte, da Liga Católica, uma organização semelhante mas dos católicos romanos, tornava-se inevitável o recurso à guerra para tentar resolver o conflito latente, o qual foi desencadeado pela secção da Boêmia da União Evangélica.

Fernando II, rei da Boêmia
No Reino da Boêmia (atual República Checa), teve início uma disputa pela sucessão do trono, que envolveu católicos e protestantesFernando II de Habsburgo, com a ajuda de tropas e recursos financeiros da Espanha, dos germânicos católicos e do papa, conseguiu derrotar os protestantes da Boêmia.
Os protestantes, que constituíam a maior parte da população, estavam indignados com a agressividade da hierarquia católica. Os protestantes exigiam de Fernando II, o rei da Boêmia e futuro imperador do Sacro Império Romano-Germânico, uma intercessão em seu favor. Todavia, as reivindicações foram totalmente ignoradas pelo rei, pois este era um fervoroso católico e um potencial herdeiro do poder imperial dos Habsburgos. Fernando II estabeleceu o catolicismo como único credo permitido na Boêmia e na Morávia. Os protestantes boêmios consideraram o ato de Fernando como uma violação da Carta de Majestade. Isso provocou nos boêmios o desejo de independência.
A resposta da maioria protestante não se fez esperar: em 23 de maio de 1618, descontentes com os católicos que destruíram um de seus templos, invadiram o palácio real em Praga e defenestraram dois dos seus ministros e um secretário, fato que ficou por isso conhecido como "Defenestração de Praga", tendo despoletado a sublevação protestante. Assim começava a guerra, que abrangeu as revoltas holandesas depois de 1621 e concentrou-se em um confronto franco-Habsburgo após 1635.

09/11/2017

2.566.(9noVEMbro2017.13.31') Paulo Mendes Campos

Nasceu a 28fev1922
e morreu a 1jul1991
***
https://www.pensador.com/autor/paulo_mendes_campos/
Resultado de imagem para frases de Paulo Mendes Campos
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. 
"Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é o lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais 
decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a 
resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
*
Não consigo entender
O tempo
A morte
Teu olhar
O tempo é muito comprido
A morte não tem sentido
Teu olhar me põe perdido
Não consigo medir
O tempo
A morte
Teu olhar
O tempo, quando é que cessa?
A morte, quando começa?
Teu olhar, quando se expressa?
Muito medo tenho
Do tempo
Da morte
De teu olhar
O tempo levanta o muro.
A morte será o escuro?
Em teu olhar me procuro.

*
Os lados, de Paulo Mendes Campos
Há um lado bom em mim.
O morto não é responsável
Nem o rumor de um jasmim.
Há um lado mau em mim,
Cordial como um costureiro,
Tocado de afetações delicadíssimas.

Há um lado triste em mim.
Em campo de palavra, folha branca.

Bois insolúveis, metafóricos, tartamudos,
Sois em mim o lado irreal.

Há um lado em mim que é mudo.
Costumo chegar sobraçando florilégios,
Visitando os frades, com saudades do colégio.

Um lado vulgar em mim,
Dispensando-me incessante de um cortejo.
Um lado lírico também:

Abelhas desordenadas de meu beijo;
Sei usar com delicadez um telefone,
Nâo me esqueço de mandar rosas a ninguém.

Um animal em mim,
Na solidão, cão,
No circo, urso estúpido, leão,
Em casa, homem, cavalo...

Há um lado lógico, certo, irreprimível, vazio
Como um discurso,
Um lado frágil, verde-úmido.
Há um lado comercial em mim,
Moeda falsa do que sou perante o mundo.

Há um lado em mim que está sempre no bar,
Bebendo sem parar.

Há um lado em mim que já morreu.
Às vezes penso se esse lado não sou eu.

*
RONDÓ DE MULHER SÓ

Estou só, quer dizer, tenho ódio ao amor que terei pelo desconhecido que está a caminho, um homem cujo rosto e cuja voz desconheço. 

Sempre estive duramente acorrentada a essa fatalidade, amor. Muito antes que o homem surja em nossa vida, sentimos fisicamente que somos servas de uma doação infinita de corpo e alma. 

O homem é apenas o copo que recebe o nosso veneno, o nosso conteúdo de amor. Não é por isso que o homem me atemoriza, quando aqui estou outra vez, só, em meu quarto: o que me arrepia de temor é este amor invisível e brutal como um príncipe. 

Quando se fala em mulher livre, estremeço. Livre como o bêbado que repete o mesmo caminho de sua fulgurante agonia. 

A uma mulher não se pergunta: que farás agora da tua liberdade? A nossa interrogação é uma só e muito mais perturbadora: que farei agora do meu amor? Que farei deste amor informe como a nuvem e pesado como a pedra? Que farei deste amor que me esvazia e vai remoendo a cor e o sentido das coisas como um ácido? É terrível o horror de amar sem amor como as feras enjauladas. 

É quando o homem desaparece de minha vida que sinto a selvageria do amor feminino. Somos todas selvagens: são inúteis as fantasias que vestimos para o grande baile. Selvagem era a romana que ficava em casa e tecia; selvagens eram as mulheres do harém, as mais depravadas e as mais pudicas; selvagem, furiosamente selvagem, foi a mulher na sombra da Idade Média, na sua mordaça de castidade; mesmo as santas - e Santa Teresa de Ávila foi a mais feminina de todas - fizeram da pureza e do amor divino um ato de ferocidade, como a pantera que salta inocente sobre a gazela. E selvagem sou eu sob a aparência sadia do biquíni, olhando a mecânica erótica de olhos abertos, instruída e elucidada. Pois não é na voluntariedade do sexo que está a selvageria da mulher, mas em nosso amor profundo e incontrolável como loucura. O sexo é simples: é a certeza de que existe um ponto de partida. Mas o amor é complicado: a incerteza sobre um ponto de chegada. 

Aqui estou, só no meu quarto, sem amor, como um espelho que aguarda o retorno da imagem humana. O resto em torno é incompreensível. O homem sem rosto, sem voz, sem pensamento, está a caminho. Estou colocada nesse caminho como uma armadilha infalível. Só que a presa não é ele - o homem que se aproxima - mas sou eu mesma, o meu amor, a minha alma. Sou eu mesma, a mulher, a vítima das minhas armadilhas. Sou sempre eu mesma que me aprisiono quando me faço a mulher que espera um homem, o homem. Caímos sempre em nossas armadilhas. Até as prostitutas falham nos seus propósitos, incapazes de impedir que o comércio se deixe corromper pelo amor. Quantas mulheres traçaram seus esquemas com fria e bela isenção e acabaram penando de amor pelo velhote que esperavam depenar. Somos irremediavelmente líquidas e tomamos as formas das vasilhas que nos contêm. O pior agora é que o vaso está a caminho e não sei se é taça de cristal, cântaro clássico, xícara singela, canecão de cerveja. Qualquer que seja a sua forma, depois de algum tempo serei derramada no chão. Os vasos têm muitas formas e andam todos eles à procura de uma bebida lendária. 

Li num autor (um pouco menos idiota do que os outros, quando falam sobre nós) que o drama da mulher é ter de adaptar-se às teorias que os homens criam sobre ela. Certo. Quando a mulher neurótica por todos os poros acaba no divã do analista, aconteceu simplesmente o seguinte: ela se perdeu e não soube como ser diante do homem; a figura que deveria ter assumido se fez imprecisa. 

Para esse escritor, desde que existem homens no mundo, há inúmeras teorias masculinas sobre a mulher ideal. Certo. A matrona foi inventada de acordo com as idéias de propriedade dos romanos. Como a mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita, muito docilmente a mulher de César passou a comportar-se acima de qualquer suspeita. Os Dantes queriam Beatrizes castas e intocáveis, e as Beatrizes castas e intocáveis surgiram em horda. A Renascença descobriu a mulher culta, e as renascentistas moderninhas meteram a cara nos irrespiráveis alfarrábios. O romancista do século passado inventou a mulherzinha infantil, e a mulherzinha infantil veio logo pipilando. 

O tipos vão sendo criados indefinidamente. Médicos produzem enfermeiras eficientes e incisivas como instrumentos. Homens de negócios produzem secretárias capazes e discretas. As prostitutas correspondem ao padrão secreto de muitos homens. Assim somos. Indiquem-nos o modelo, que o seguiremos à risca. Querem uma esposa amantíssima - seremos a esposa amantíssima. Se a moda é mulher sexy, por que não serei a mulher sexy? Cada uma de nós pode satisfazer qualquer especificação do mercado masculino. 

Seremos umas bobocas? Não. Os homens são uns bobocas. O homem é que insiste em ver em cada uma de nós - não a mulher, a mulher em estado puro ou selvagem, um ser humano do sexo feminino - o diabo, a vagabunda, a lasciva, o anjo, a companheira, a simpática, a inteligente, o busto, o sexo, a perna, a esportista... Por que exige de nós todos os papéis, menos o papel de mulher? Por que não descobre, depois de tanto tempo, que somos simplesmente seres humanos carregados de eletricidade feminina? 

(O amor acaba: crônicas líricas e existenciais. 2a ed., Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 63-65).

***

A meu av?Cesário devo este horror pelos cães, o pescoço musculoso, o riso acima de minhas posses, o pressentimento de uma velhice turbulenta

(...) A minha av?Margarida, a maneira leve de pisar e fechar portas.

A Minas Gerais, a minha sede, o jeito oblíquo e contraditório, os movimentos de bondade (todos), o hábito de andanças pela noite escura (da alma, naturalmente), a procrastinação interminável, como um negócio de cavalos ?porta de uma venda."
("Meditações Imaginárias")
nasceu  em Belo Horizonte - MG, filho do médico e escritor Mário Mendes Campos e de D. Maria Jos?de Lima Campos. Começou seus estudos na capital mineira, prosseguiu em Cachoeira do Campo (onde o padre professor de Português lhe vaticinou: "Voc?ainda ser? escritor") e terminou em São João del Rei.
Começou os estudos de Odontologia, Veterinária e Direito, não chegando a complet?los. Seu sonho de ser aviador também não se concretizou. Diploma mesmo, gostava de brincar, s?teve o de datilógrafo. Muito moço ainda, ingressou na vida literária, como integrante da geração mineira a que pertence Fernando Sabino e pertenceram os j?falecidos Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino, João Ettiene Filho e Murilo Rubião. Em Belo Horizonte, dirigiu o suplemento literário da Folha de Minas e trabalhou na empresa de construção civil de um tio.
Veio ao Rio de Janeiro, em 1945, para conhecer o poeta Pablo Neruda, e por aqui ficou. No Rio j?se encontravam seus melhores amigos de Minas — Sabino, Otto, e Hélio Pellegrino. Passou a colaborar em O JornalCorreio da Manh?/i> (de que foi redator durante dois anos e meio) e Diário Carioca. Neste último, assinava a "Semana Literária" e, depois, a crônica diária "Primeiro Plano". Foi, durante muitos anos, um dos três cronistas efetivos da revista Manchete.
Admitido no IPASE, em 1947, como fiscal de obras, passou a redator daquele órgão e chegou a ser diretor da Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.
Em 1951 lança seu primeiro livro, "A palavra escrita" (poemas).
Casou-se, nesse mesmo ano, com Joan, de descendência inglesa, tendo tido dois filhos: Gabriela e Daniel.
Buscando meios de sustentar a família, Paulo Mendes Campos foi repórter e, algumas vezes, redator de publicidade
Foi, também, hábil tradutor de poesia e prosa inglesa e francesa — entre outros Júlio Verne, Oscar Wilde, John Ruskin, Shakespeare, além de Neruda, tendo enriquecido sua experiência humana em viagens ? Europa e ?Ásia.
Em 1962, experimentou ácido lisérgico, acompanhado por um médico.  Relatou sua experiência em artigos publicados na revista "Manchete", depois reproduzidas em "O colunista do morro" e em "Trinca de copas", seu último livro. Disse que a droga abriu "comportas" e ele se deixou invadir pelo "jorro caótico"do inconsciente at?sentir o peso e a nitidez das palavras que produziam um "milagre da voz". E completava: "A comparação não presta, mas por um momento eu era uma espécie de São Francisco de Assis falando com o lobo. O lobo também sabe que amor com amor se paga".
Em 1967, em seu livro "Hora do Recreio", escreveu:

Autobiografia

1922 - Semana de Arte Moderna, revolta do Forte de Copacabana, morte do Papa, o rei entrega o poder a Mussolini. Nada tenho com tudo isso: simplesmente nasço.

1923 - Morre o Rui, Stalin assume a chefia do poder soviético, putch de Hitler em Munique. Eu nada disse, nada me foi perguntado.

1924 - Revolução em São Paulo, estado de sítio. Dou para quebrar minhas mamadeiras, após o ato de esvazi?las. O califado turco entra pelo cano.

1925 - Começo a ver o diabo dançando em torno de meu berço;e gosto.

1928 - Carmona, presidente de Portugal; Hiro-Hito, imperador do Japão. Ganho um par de botinas e durmo abraçado a elas.

1927 - Com o nome de Charles Lindbergh, atravesso o Atlântico pilotando o Spirit of Saint Louis.

1928 - Antônio de Oliveira Salazar torna-se precocemente ministro das finanças portuguesas; perco na Rua Tupis uma prata de dois mil-réis.
1929 - Craque na bolsa de Nova Iorque. Pulo do bonde em movimento na rua da Bahia, esborracho-me no chão, um Ford último modelo consegue parar em cima de mim, e quase não fico para contar a história.

1930 - Revolução: mesmo com fratura dupla no braço, dou o melhor de mim ao lado das tropas rebeldes e, logo após, ao lado das tropas legalistas. Na caixa d'água da Serra leio 0 Barão de Münchausen.

1931 - A Inglaterra deixa o padrão ouro, Afonso XIII deixa o trono espanhol. Eu, Robinson Cruso? naufrago no Pacífico, chego a uma ilha cheia de ilustrações coloridas e me torno amigo de Sexta-Feira.

1932 - Revolução de São Paulo. Luto na Mantiqueira, tremendo de frio e de coragem; não tenho muita certeza se morro ou não.

1933 - Morre dentro da banheira o Presidente Olegário Maciel. O Padre Coqueiro vem dizer que as aulas estão suspensas por motivo de luto nacional. Viva Olegário Maciel! Fujo da casa paterna, materna, fraterna, mochila nas costas, em busca dos índios de Mato Grosso; regresso ao atingir as terras da Mutuca, hoje subúrbio de Belo Horizonte.

1934 - Hitler ?Führer do Reich; eu não sei se sou Winetou ou Mão de Ferro.

1935 - Mussolini ataca a Abissínia; ataco e defendo no time da divisão dos médios como centro-médio.

1936 - Morre George V, viva Eduardo VIII, que renuncia, sobe ao trono George VI. Ganho com alegria o bilhete azul do colégio.

1937 - O golpe do Estado Novo me pega de surpresa, quando subo as escadas da capela do outro colégio para a benção do Santíssimo e uma prática chatíssima de Frei Mário.

1938 - Os japoneses tomam Cantão; no Hotel Espanhol, São João del-Rei, os bacharelandos do Ginásio de Santo Antônio tomam vinho Gatão e recitam um ditirambo de Medeiros de Albuquerque (estava no florilégio do compêndio): "Bebe! e se ao cabo da noite escura, / Hora de crimes torpes, medonhos, / Varrer-te acaso da mente os sonhos, / Cerra os ouvidos ?voz do povo! / Ergue teu cálice, bebe de novo!" Foi o que fizemos.

1939 - Começo a guerra.

1940 - Caio com a França.

1941 - Não sou mais eu: 1) sou como o rei de um país chuvoso; 2) sou uma nuvem de calças; 3) sou 350; 4) sou triste e impenetrável como um cisne de feltro. E assim por diante.

1942 - Atingido pelo mal do século (XVIII), mato-me no Parque Municipal. Meu nome ? Werther.

1943 - Venço a batalha de Stalingrado.

1944 - Maquis.

1945 - Tomo o noturno mineiro e me mudo para o Rio, acabo com a ditadura.

1946 - 1955 – Yo era un tonto.

1956 - 1960 - Lo que h?visto me ha hecho dos tontos.
1961 - Subo no espaço sideral, dou uma volta em torno da Terra na primeira nave cósmica tripulada por um ser humano. Depois desço no Bico de Lacre, bar dos mentirosos e sonhadores, e digo: "O Mundo ?azul.”

(Publicado no livro “
Hora do Recreio”, Editora Sabi?1967, pág. 07,  relançado em 1976 com o título de “Rir ?o Único Jeito (Supermercado)”, Editora Tecnoprint S.A. – Rio de Janeiro, pág. 11).
Cético, sem perder a ternura, jamais fez concessões e tinha horror ?vulgaridade, fosse ela temática ou vernacular.  A perplexidade humana ? devassada em sua poesia; sua prosa ?penetrante, algumas vezes cheia de bom humor.
Paulo Mendes Campos faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 1?de julho de 1991, aos 69 anos de idade.

Em 1999 foi homenageado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro: tem seu nome uma pequena praça que fica no cruzamento das ruas Dias Ferreira, Humberto de Campos e General Venâncio Flores, no Leblon.
Um de seus livros, publicado pela Editora do Autor, teve esta apresentação, que bem define o escritor:
"Homem em quem o gosto das leituras requintadas e as orgias silenciosas do pensamento não estragaram ao prazer e a emoção dos encontros com o povo e com a vida de todo dia, Paulo Mendes Campos faz, na leveza de suas crônicas, páginas que vencem o efêmero pela sua qualidade literária e pela sua autêntica vibração humana".

Bibliografia
:

A Palavra Escrita, poesia, Ed. Hipocampo - Rio de Janeiro, 1951

Forma e Expressão do Soneto, antologia, 1952

Testamento do Brasil, poesia, 1956

O Domingo Azul do Mar, poemas, Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1958

Páginas de Humor e Humorismo, antologia, ampliada e reeditada em 1965 sob o título Antologia Brasileira de Humorismo.

O Cego de Ipanema, crônicas, Ed. do Autor - Rio de Janeiro, 1960

Homenzinho na Ventania, crônicas, Ed.do Autor - Rio de Janeiro, 1962

O Colunista do Morro, crônicas, Ed. do Autor - Rio de Janeiro, 1965

Testamento do Brasil e Domingo Azul do Mar (poemas - edição conjunta), Ed. do Autor - Rio de Janeiro, 1966

Hora do Recreio, crônicas, Editora Sabi? Rio de Janeiro, 1967

O Anjo Bêbado, crônicas, Ed. Sabi?- Rio de Janeiro, 1969

Trinca de Copas, 1984

Rir ?o Único Jeito (Supermercado), Ed. Ediouro - Rio de Janeiro. (Reedição de Hora do Recreio, com novo título - livro de bolso).

O Amor Acaba - Crônicas Líricas e Existenciais - Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1999.

Cisne de Feltro - Crônicas Autobiográficas - Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2000.

Alhos e Bugalhos - Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2000.

Brasil brasileiro — Crônicas do país, das cidades e do povo - Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2000.

Murais de Vinícius e outros perfis - Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2000.

O gol ?necessário ?Crônicas esportivas -  Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2000.

Artigo indefinido -  Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2000.

De um caderno cinzento — Apanhadas no chão - Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2000.

Bal?do pato e outras crônicas - Editora Ática - S. Paulo, 2003.

A volta ao mundo em 80 dias - Tradução e adaptação do livro de Julio Verne, Ediouro, 2004.

Quatro histórias de ladrão - Editora Agir, Rio de Janeiro, 2005.
http://www.releituras.com/pmcampos_bio.asp
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O amor acaba

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

Texto extraído do livro "O amor acaba", Editora Civilização Brasileira – Rio de Janeiro, 1999, pág. 21, organização e apresentação de Flávio Pinheiro.
http://www.releituras.com/i_eleonora_pmcampos.asp
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a 10 estreia e no face fui recolhendo
frases soltas e videos...
6noVEMbro2017

Gambuzinos com 1 pé de fora

(…) e a vida, afinal é como as orquídeas.

"O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio… acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado… o amor pode acabar na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina… nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada… uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba… ás vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque… na janela que se abre, na janela que se fecha; ás vezes não acaba e é simplesmente esquecido… ás vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor…
em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."